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terça-feira, 17 de maio de 2011

Accept enlouquece fãs em São Paulo


por Vinícius Castelli

A visita do lendário grupo alemão de heavy metal Accept ao Brasil, por muitos anos foi algo quase impossível de imaginar. A banda encerrou as atividades ainda nos anos 1990 e, depois de passar alguns anos estacionada na garagem, voltou com fúria, novos vocalista e disco e saúde para dar e vender.


Com mais de três décadas de estrada, os alemães finalmente fizeram sua estreia em solo brasileiro no domingo, no Carioca Club, em São Paulo. Diante de pouco mais de 2.000 pessoas, apresentaram setlist impecável e show para muita banda - inclusive as de grande porte - invejar.

Responsáveis por influenciar leva de novos músicos ainda nos anos 1980, o guitarrista Wolf Hoffmann e o baixista Peter Baltes apenas deixaram claro aquilo que todos imaginavam: a amizade de todos esses anos é bom resultado para o sucesso de um belo show. 'Teutonic Terror', canção pincelada do recém-lançado 'Blood Of The Nations', foi responsável por dar ‘oi' ao público. Com riffs poderosos, foi cantada em uníssono, para surpresa do grupo. 'Bucket Full Of Hate', caracterizada pelos clássicos refrões que lembram coros de exército, veio em seguida, representando também o novo trabalho.

A voz de Mark Tornillo, hoje no lugar de Udo Dirkschneider, é poderosa. Esbanjando carisma, Tornillo fez com que fossem desnecessárias comparações com o antigo vocalista. 'Breaker', composição do disco homônimo de 1981, matou a sede dos fãs mais antigos.

Mas foi com 'Restless And Wild', um dos maiores clássicos do estilo, que o lugar veio abaixo. Bem amparada pelo baterista Stefan Schwarzmann, a dupla de cordas, mesmo com a ausência de Herman Frank - o guitarrista se acidentou recentemente durante show no Texas -, apresentou carisma e competência de sobra. Hoffmann, perito em música clássica, fez com que os presentes cantassem todos os seus solos, do início ao fim do espetáculo.

O Accept apresentou ainda 'Metal Heart', clássico absoluto. Com 'Amamos La Vida', recheada por arranjos dignos, a banda tirou o pé do freio e esbanjou delicadeza.

Hoffmann, em meio a um solo que parecia preceder guerra nuclear, apresentou 'Neon Nights', para a alegria de todos. Empenhada e empolgada, a banda ainda tirou do bolso petardos como 'Losers and Winners', 'Aiming High' e 'Princess Of The Dawn'. Como se não bastasse, três músicas vieram para o bis: 'Fast As A Shark', a nova 'Pandemic' e a furiosa 'Balls To The Wall'.
A noite foi do Accept e o mês, por enquanto, é do Accept. E não, a banda não vive à sombra do passado. Hoffmann, Baltes e cia.limitada vão muito bem, obrigado.
Fotos: Ronaldo Chavenco

sábado, 14 de maio de 2011

Accept ressurge das cinzas - Entrevista exclusiva


por Vinícius Castelli

Referência mundial no cenário heavy metal nos anos 1980, a banda alemã Accept – por anos quase esquecida pelos próprios músicos – retorna das cinzas com força e repleta de novidades. Liderado pelo guitarrista e principal compositor Wolf Hoffmann, o grupo mata a sede dos fãs e aposta em seu novo disco Blood Of The Nations, lançado após hiato de 16 anos.

A banda chega ao Brasil pela primeira vez em mais de três décadas de estrada para única apresentação amanhã, em São Paulo, no Carioca Club, às 20h. Renovado, o Accept apresenta o novo vocalista Mark
Tornillo – para o lugar do lendário Udo Dirkschneider –, além do recém-chegado baterista Stefan Schwarmann. O quinteto conta também com o guitarrista Herman Frank e com o baixista e também fundador Peter Baltes em sua formação.

Blood Of The Nations, 12º disco de estúdio – capaz de figurar, sem exagero algum, ao lado dos álbuns mais importantes do grupo como Metal Heart e Restless e Wild – traz canções de peso, repletas de energia e mostra os roqueiros prontos para novos ares. Em entrevista exclusiva, Wolf Hoffmann disse estar feliz com a aceitação do álbum pelo mundo. “Nós não poderíamos ter desejado mais e acredite, não o fizemos. É um milagre o Accept estar de volta aos palcos. Nem nós imaginávamos isso”, conta o músico.

Fora de atividade desde 2005, Hoffmann diz ter sentido falta da banda, dos fãs e de toda a adrenalina que envolve o processo de trabalho musical. Em contrapartida, relata saudades da família quando se está mergulhado na carreira musical. “Sempre vivi a vida ao máximo e música é uma das minhas maiores paixões,
mas é também uma das mais exigentes.”

Mas talvez todo esse tempo fora do mainstream musical tenha feito bem ao grupo. Ao mesmo tempo em que o mundo girou e mudou, a música do Accept também não é mais a mesma. A essência das canções é a mesma, mas é fato perceber quão mais maduro está o grupo após todo esse tempo. “Nós mudamos do início para cá. O mundo obviamente mudou. Mas os princípios, como fazer as coisas da maneira certa, com honestidade, integridade e devoção, isso não mudou”, diz o guitarrista.

Poderosas, as novas composições têm arrancado suspiros de toda a crítica especializada. E se havia alguma dúvida de que a banda, após seu retorno, viveria apenas à sombra das canções da época de seu antigo vocalista, o saboroso Blood Of The Nations coloca fim à questão.

Sobre o segredo para produzir boas canções, que tem como marca registrada o timbre inconfundível das cordas, o veterano roqueiro diz que algo que contribui muito para isso é a ótima relação que tem como parceiro de composição o baixista Peter Baltes. Hoffmann também acredita ser impossível forçar talento,
inspiração e imaginação. “Essas qualidades têm de estar com a banda desde o início”. E conta outro segredo: “Nunca pense ao criar, apenas deixe fluir. Faça o que quiser aqui e agora e você será recompensado aqui e agora”. Para o show no Brasil, o guitarrista é direto e diz esperar do público exatamente o que os fãs esperam do Accept. O músico conta ainda  não saber o que tocará em
São Paulo. “Nós escolhemos as músicas espontaneamente a cada noite. Temos uma música que nunca tocamos que tem o título em espanhol. Espero que possamos tocá-la.”

Serviço:
Accept
Domingo, às 20h.
No Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 2.8 9 9
São Paulo.
Tel . :3813-8598.
Ingr.: R$ 120.

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