segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ride The Lightning é relançado

Na primeira metade dos anos 1980, o rock estava em plena transformação, com bandas marginais como Slayer e Exodus surgindo nos Estados Unidos e também no Brasil, com Sepultura e o andreense MX. Da mesma leva, havia o Metallica, da Califórnia, cujo segundo disco, Ride The Lightning, lançado em 1984, ganha relançamento agora, 32 anos depois de sua criação.

A obra (Universal Music, R$ 27,90, em média) volta às prateleiras remasterizada e embalada em caixa digipack (papel). Com formação que ainda contava com o contrabaixista Cliff Burton – morto em 1986 em acidente de ônibus durante turnê da banda –, o álbum é ilustrado por temas como Fight Fire With Fire, Trapped Under Ice e Fade To Black, e já apostava em críticas políticas e sociais, como para a pena de morte.


Algumas canções de Ride The Lightning, como a faia que dá nome ao disco, For Whom The Bell Tolls e Fade To Black, se tornaram clássicos no repertório do Metallica e são executadas ao vivo até hoje.

Apesar de ser positivo o fato de o disco retornar às prateleiras, o relançamento deixa a desejar pelo fato de não ter um bônus sequer.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Norah Jones respira jazz

Norah Jones navegou por oceanos de diversas linguagens musicais. Artista para lá de consagrada, a cantora e compositora norte-americana faz agora mergulho nas raízes do universo de onde surgiu, o jazz.
A cantora coloca nas prateleiras seu sexto trabalho solo, Day Breaks (Universal Music, R$ 25,90, em média), que ganha vida ilustrado por 12 composições de estúdio. Com produção assinada por ela própria ao lado de Eli Wolf, e coprodução de Sarah Oda, que assina quatro temas no álbum, três com Norah, Day Breaks é elegante, poderoso.
Além de arranjos de piano, tocado no disco pela própria Norah Jones, o novo trabalho é arranjado por bateria tocada com vassourinha, contrabaixo acústico e saxofone, o que dá ar intimista – como daqueles shows em pequenos clubes de jazz – em canções como, que abre o cardápio musical da obra, Tragedy e It’s a Wonderful Time For Love. Tudo muito educado e sensual. De andamento mais rápido, Flipside dá energia ao disco, com arranjos de teclado hammond e belo trabalho de voz. Já Peace é o momento mais delicado da obra. Prato cheio para quem quer calmaria. Além das faixas autorais, Norah apresenta duas releituras. Uma delas é Fleurette Africaine, de Duke Ellington. Ela também visita o cancioneiro do roqueiro canadense Neil Young com Don’t Be Denied, mas em sua visão, nada de guitarra ácida.
Além das 12 faixas de estúdio, o álbum apresenta quatro bônus de versões ao vivo, sendo que três delas são de canções de Day Breaks: Carry On, Flipside e Peace. A outra, Don’t Know Why é clássico do álbum de estreia, Come Away With Me. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Pacote de Cartola

Atemporal. Assim é a música de Cartola (1908-1980), um dos mais importantes compositores brasileiros, que ganha edição especial, embalada na caixa batizada Todo Tempo Que Eu Viver (Universal Music, R$ 69,90, em média). É a primeira vez que a obra toda do cantor é reunida de forma remasterizada. O lançamento é ilustrado por três CDs. Entre eles estão os dois primeiros trabalhos do artista, que levam seu nome, um de 1974 e outro de 1976. Ambos foram registrados por Cartola já com mais de 60 anos e após o artista ter sido ignorado por várias gravadoras, mesmo sendo nome conhecido no universo do samba.
Os álbuns foram lançados pela Discos Marcus Pereira, ainda novata naquele tempo. E tudo deu certo graças, também, ao empenho do produtor musical João Carlos Botezelli, o Pelão, que não desistiu da tarefa de gravar o carioca. Do primeiro, saltam pérolas como Disfarça e Chora, Corra e Olhe o Céu e a poética Alvorada, resultado de trabalho de três dias em estúdio sob os arranjos de Horondino José da Silva, o Dino 7 Cordas.
O CD de 1976 foi bem recebido. O disco anterior havia vendido 50 mil cópias em menos de um ano. Pela primeira vez Cartola vivia apenas da renda de sua arte. O álbum, um clássico, assim como o anterior, é ilustrado por temas como O Mundo é um Moinho, Aconteceu e As Rosas Não Falam. O trabalho conta com a participação especial de Creusa, filha de criação de Cartola, em duas faixas, Ensaboa e Sala de Recepção.
O terceiro álbum da caixa, Tempos Idos, é uma compilação de todas as músicas do compositor lançadas entre 1967 e 1976 em discos de outros artistas e em projetos de selos como Copacabana, Tapecar e Odeon, entre outros. Entre as faixas estão Pranto de Poeta, Mangueira e Praça Onze, todas parte de uma seleção de sambas da Mangueira, que conta com a participação de Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso. Destaque para quatro registros gravados ao vivo, pincelados do disco 100 Anos de Música Popular Brasileira, de 1975. Além do medley Divina Dama/Quem Me Vê Sorrindo, estão O Sol Nascerá, Alvorada e Acontece.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Lady Gaga sem barreiras

Lady Gaga é daquelas artistas que chutam barreiras impostas por quem quer que seja. Ela é o que quiser e pronto. Versátil, conversa com artistas diversos, tanto que já se apresentou com nomes como Brian May, guitarrista do britânico Queen, com o cantor Tony Bennett, e é muito respeitada por figuras como o veterano roqueiro Alice Cooper.
Ela lança agora Joanne (Universal Music, R$ 27,90, em média), disco de inéditas e quinto de estúdio, que estreou nesta semana no topo da lista norte-americana Billboard 200, desbancando Leonard Cohen e Michael Bublé. A nova empreitada da popstar coloca fim ao hiato de três anos sem trabalho de inéditas – o anterior foi Artpop – e mostra a artista caminhando por outros universos, sem medo.
Com produção assinada por Kevin Parker (Tame Impala) e Mark Ronson, o disco, que leva o mesmo nome de uma tia da artista que morreu jovem, é ilustrado por 14 composições e traz receita diferente. Mesmo ainda presentes em canções como Dancin ‘ In Circles e no single Perfect Illusion, os temperos pop com elementos eletrônicos saem um bocado de cena e a artista aposta desta vez em receita mais orgânica, roqueira até, com pitada bluesy e com momentos country.
Limpo, o disco dá mais lugar aos instrumentos que aos efeitos eletrônicos, tanto que há harpa, percussão, cordas, bateria encorpada e contrabaixo, entre outros. Isso dá mais espaço para a voz da artista se sobressair, como na canção Come To Mama, que tem até arranjos de instrumentos de sopro. Em Diamond Hear, que abre a obra, sua voz rasgada já mostra o direcionamento do álbum. Sinner’s Pray tem pitadinha country, para quebrar preconceitos e mostrar que a arte é livre.
O disco conta com a guitarra de Josh Homme, da banda norte-americana Queens Of The Stone Age. Em Hey Girl, R&B de sutil veia feminista, Lady Gaga conta com a participação de Florence Welch, da banda Florence and the Machine. Regada por cordas de violão, a faixa que dá nome ao disco remete aos tempos de Joni Mitchell em Woodstock, nos anos 1960. Uma preciosidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Bruno Mars libera nova música

O cantor Bruno Mars lança hoje mais uma faixa que estará em seu próximo álbum, 24K Magic, terceiro da carreira, que será lançado dia 18 via Warner Music. 

A balada 'Versace On The Floor' já está disponível em todas as plataformas digitais.

Entrevista - Stacey Kent lança disco com Roberto Menescal

Como surgiu a ideia de fazer esse disco?
Encontrei Roberto em 2011 no “Show De Paz” no Rio e ficamos amigos imediatamente. Mesmo que sejamos de gerações e culturas diferentes descobrimos que temos muito em comum do ponto de vista da música, filosofia e etc. Durante as nossas conversas por Skype e e-mail, descobrimos que amamos não somente os grandes "standards" do Great American Songbook, mas amamos também os discos de Julie London e Barney Kessel. Convidei o Menescal a fazer umas faixas no meu disco, “The Changing Lights”. Foi durante a gravação que ele deu a ideia de um disco de standards no estilo íntimo de voz e guitarra como Julie London e Barney Kessel. Claro, disse OK sem hesitar!

Era uma vontade antiga regravar clássicos da música dos Estados Unidos?
Mesmo que tenha cantado mais as canções inéditas, francesas e a música brasileira nos últimos anos, nunca deixei de cantar os clássicos norte-americanos. Mas a ideia de fazer um disco assim com Menescal foi tão natural. A gente compartilha uma sensibilidade. Parecia muito natural fazer este repertório com Roberto. Também antes de gravar, falamos muito das coisas em comum entre o mundo dele, a Bossa Nova, e a meu mundo do Jazz, falamos da ligação da harmonia e para este projeto em particular, a ligação entre o relacionamento muito íntimo da voz e violão e que poderíamos criar de novo aquela atmosfera. Menescal nos fala muito dos anos no início, cantando, tocando na casa da Nara Leão, e os duetos que eles fizeram juntos, parecido com Barney e Julie. Queríamos continuar nesta tradição.

E a escolha do repertório do disco foi difícil?

Foi difícil, mas somente no sentido que tínhamos uma escolha tão grande. A dificuldade foi eliminar tantas canções que poderíamos ter gravado. Na realidade, fazer dez discos assim teria sido fácil!
Como é o cenário musical para esse tipo de música nos Estados Unidos? É algo que os jovens também escutam?
Esse tipo de música fez parte da cultura dos EUA sempre. Ouve-se na rádio, nas lojas, nos filmes etc. Por isso, os jovens ainda conhecem bastante bem os standards e já existe um público que ama os Standards. O disco com Roberto tem sido muito bem recebido.
Como foi o processo de gravação desse disco?
Planejamos o disco por Skype e e-mail. Roberto escolheu a maioria do repertório. Para mim, a única canção que eu sugeri que Roberto ainda não conhecia foi “If I'm Lucky”, de Perry Como. Eventualmente, Roberto chegou em Londres para gravar. Ensaiamos em casa bem relaxados e depois fomos para o estúdio. O estúdio fica no campo, fora de Londres. Tem jardins lindos e um clima muito aconchegante. Gravei todos os meus discos ali e foi um prazer introduzir Roberto ao meu mundo depois de sermos tão bem recebidos no Brasil.

Quando escuto Tenderly, ele soa quase que ao vivo, e muito orgânico. Essa era a ideia?
Foi. O clima é quase bossa nova - voz e violão. Não foi uma grande produção, mas é a música como se toca em casa entre amigos.

Das canções que você regravou para Tenderly, mudaram arranjos ou as músicas são como as versões originais?
Foi somente “In The Wee Small Hours” que eu regravei e foi um arranjo que Menescal fez. É bem diferente.

O disco tem músicas doces. Acha que o mundo está precisando de mais amor nos dias de hoje?
Concordo! Fico muito feliz de ser capaz de contribuir algo ao mundo que possa ajudar.

Tem algum toque brasileiro nessas músicas do disco Tenderly?
Além da canção do Menescal, “Agarradinhos”, que tem um toque de swing dos anos 50, como disse, o clima do disco - voz e violão e muito bossa nova.

Sei que você é apaixonada por música brasileira. Você descobriu algum artista que está ouvindo atualmente?
Tem tantos artistas aí que amo e que ainda estou descobrindo! Mas não penso em termos de ano nem da idade, a música toca o coração ou não.
 
Você pesquisa por artistas antigos do Brasil?
Hoje em dia, é fácil pesquisar graças à Internet, mas também os meus amigos brasileiros, sabendo que amo a música brasileira, me mandam nomes dos discos que talvez não tenha ouvido.... Escuto bastante Cartola neste momento. E sempre escuto João Gilberto. Mas a lista é enorme e não temos tempo pra falar de tudo! Passei a semana passada apresentando “Cantiga de Longe” a alguns amigos americanos que não conheciam o trabalho do Edu Lobo. Ficaram apaixonados.
 
Você tem vontade de fazer um disco só com músicas de algum artista brasileiro?
 Já fiz um disco “AO VIVO” e DVD com o grande cantor, compositor e amigo, Marcos Valle. Cantei recentemente também uma faixa com Danilo Caymmi, no disco dele que vai ser lançado daqui a pouco, tocando uma música do Jobim. Da mesma geração, adoro a música de Edu Lobo, Joyce Moreno, Dori Caymmi. (Isso me faz lembrar de um disco que eu amo do Dori, “Contemporâneos”, em que ele toca as músicas dessa geração. Uma maravilha.) Na verdade, tem tanta riqueza de compositores talentosos, seria possível fazer muitos discos! Eu vou!
 
Pretende vir ao Brasil para divulgar o disco Tenderly?
Espero que sim! Não há nada planejado neste momento.
 
Quer dizer algo mais?
Foi uma honra gravar com Roberto Menescal. Ele é um músico e um homem muito querido.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Bastille de disco novo

Após o sucesso do disco de estreia Bad Blood (2013) e do hit Pompei, que revelaram a banda indie britânica Bastille, o quarteto se enfia em perigosa empreitada: fazer um segundo trabalho tão bom quanto o anterior. Wild World (Universal Music, R$ 25, em média), chega ilustrado por 19 canções e forte receita sonora.
A banda, formada em 2010 por Dan Smith (voz), Kyle Simmons (teclado), Will Farquarson (guitarra e contrabaixo) e Chris Wood (bateria), acerta a mão e segue receita parecida com que fez antes. A doçura da voz de Dan apresenta faixas como Good Grief, um dos destaques do álbum e que já ganhou vídeoclipe. Mas há também, como não poderia ser diferente, momentos em que o cantor usa força e energia na harmonias vocais, como em The Currents.
Com produção assinada pelo cantor ao lado de Mark Crew, Wild World apresenta faixas grudentas e dançantes, como Glory, um dos destaques, e repletas de arranjos eletrônicos que se misturam aos orgânicos. Momento denso do trabalho fica por conta da bela An Act of Kindness. Outro grande momento é a psicodélica Two Evils, que poderia figurar tranquilamente em filme de Quentin Tarantino. Se Wild World vai superar a marca de 4 milhões de cópias vendidas, ainda é uma interrogação, mas que a banda está no caminho certo, está.

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