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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Bruno Mars libera nova música

O cantor Bruno Mars lança hoje mais uma faixa que estará em seu próximo álbum, 24K Magic, terceiro da carreira, que será lançado dia 18 via Warner Music. 

A balada 'Versace On The Floor' já está disponível em todas as plataformas digitais.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Black Stone Cherry a todo o vapor

Se você pertence ao mundo dos que acreditam que não se faz mais rock de qualidade como antigamente e que bandas novas não prestam, o Black Stone Cherry está aí para mudar sua opinião.

A banda da pequena Edmonton, cidade do estado de Kentucky, Estados Unidos, acaba de tirar do bolso 'Between The Devil & The Deep Blue Sea' (Warner, R$ 31 em média), seu terceiro disco de estúdio. Desta vez, o grupo resolveu deixar os campos de sua terra natal para trás e viajar até a calorosa Los Angeles para gravar. E sem esquecer de levar na bagagem a receita dos discos anteriores.

Comandado pela voz e guitarra de Chris Robertson, o quarteto, que também conta com o guitarrista Ben Wells, o baterista John Fred e com o baixista Jon Lawhon, evapora energia nas canções. Novidade? Na verdade, não. A banda faz isso desde o primeiro álbum, de 2006. E cá para nós, está cada vez melhor.

Tá, mas o que te faria escutar esse disco? Que tal frases de guitarra muito bem pensadas e arranjadas com timbres de dar água na boca? Solos de guitarra sem exibicionismo, com notas simples e certeiras. Vocal poderoso, bem cantado, harmonia inteligente de contrabaixo e boa levada de bateria?
Se você está acostumado com canções sem pegada, nem perca tempo. Em 'Between The Devil & The Deep Blue Sea' a coisa ferve para valer. É simples: puro feeling, e ponto final.

Os primeiros acordes da faixa-homônima são fortes e o refrão pegajoso. Impossível não balançar a cabeça já na primeira audição. 'Killing Floor' repete a fórmula da primeira música. Isso já basta para ter ideia do poder de fogo dos garotos.

Sem desligar a distorção, 'In My Blood' desacelera o passo da obra, mas sem perder a qualidade. Basta escutá-la uma vez para sair cantando '"It's in my blood and it's in my bones/In my heart and it's in my soul/And when I'm gone, I hope you'll understand".

O Black Stone Cherry, desde seu álbum de estreia, também tira da manga canções lentas, repletas de emoção. Mas o grande segredo dessas composições é que o grupo passa longe de forçar a barra. São músicas certeiras e fortes, representadas aqui por 'Stay' e 'Wont' Let Go' - de vocal delicioso.

Uma das mais sujas do disco é 'Such a Shame', música que remete ao segundo trabalho, 'Folklore And Superstitions', lançado em 2008.
Em 'Blame It On The Boom Boom' a guitarra, junto do pedal ‘wah-wah', grita no solo. Dois grandes momentos do álbum ficam por conta de 'Can't You See' e 'Let It Roll'.

'Between The Devil & The Deep Blue Sea' não tem segredo, é simples e feroz. Só faltou mesmo aquela mensagem na contracapa que dizia nos discos de outrora: ‘Feito para ser tocado alto'

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Novo do Linkin Park chega às lojas

O quarto trabalho da banda norte-americana, A Thousand Years (Warner, R$ 54 em média) chama a atenção pela assinatura da produção. Rick Rubin, responsável por discos de Neil Young, Johnny Cash e Metallica, entre outros, arregaçou as mangas, deu vida ao disco e ajudou o grupo a amadurecer.

Cheio de climas e efeitos eletrônicos, agradará quem ousar escutar livre de preconceitos. Um DVD com show gravado em Madri acompanha o pacote.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

R.E.M para valer em novo disco

A receita do R.E.M é única. E temos de admitir que, mesmo gostando mais ou menos de alguns de seus trabalhos, os principais ingredientes sempre estiveram intactos. Mesmo sem ter tido boa receptividade em seus últimos discos, o grupo se manteve firme e praticando o que sabe melhor fazer: canções honestas.

Mas se álbuns como Around The Sun (2004) e Accelerate (2008) não agradaram muito, Collapse Into Now (Warner Music, R$ 30 em média), novo disco de estúdio e 15º da carreira, tem tudo para surpreender. Produzido pelo irlandês Jacknife Lee, responsável também por Acellerate, a nova empreitada do trio chega recheada por 12 ótimas canções. Toda a energia já conhecida de outrora é prata da casa novamente. O vocalista Michael Stipe e sua trupe tiram do bolso composições vibrantes como Discover, responsável pelo início da viagem sonora, e All The Best.

Não há como não fazer ligação entre a nova Überlin com Drive, grande clássico do grupo. O disco desacelera com a balada Oh My Heart. Os belos arranjos do violão de Peter Buck ilustram a composição ao lado da banda de metais Bonerama, de Nova Orleans, enquanto Stipe canta: “Este lugar precisa de mim aqui para recomeçar/Este lugar é a batida do meu coração/Oh meu coração/Oh meu coração”. Grata surpresa é a presença de Eddie Vedder, líder do Pearl Jam, como vocal de apoio em It Happened Today. Collapse Into Now é intenso, repleto de pontos altos. A calma Every Day Is Yours To Win antecede o rock estridente de Mine Smell Like Honey, momento explosivo do disco.

O R.E.M brilha com Walk It Back. A balada cheia de arranjos delicados tem belos coros, que roubam a cena na canção. Collapse Into Now é também uma mistura de ritmos e energias. Alligator Aviator Autopilot Antimatter traz solos sujos de guitarra e, ao lado da composição That Someone Is You, é capaz de fazer qualquer um cantar.  Não foram necessários mais do que três minutos para Me, Marlon Brando, Marlon Brando And I roubar a cena. Singela, a canção de harmonia e letra capazes de fazer o ouvinte viajar para longe é o grande momento do disco. Para fechar em grande estilo, o R.E.M tem ainda em seu ‘cast’ a lendária cantora Patti Smith que, ao lado de Stipe, canta Blue.

O baixista Mike Mills afirmou que Collapse Into Now é o melhor disco da banda desde Out of Time. Aí
já não sei se dá para concordar. Mas, no mínimo, temos de convir que o trio reencontrou sua energia sabe-se lá onde, se renovou e preparou um disco delicioso. E é isso o que importa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

The Doors e seus tempos de ouro

Quando o The Doors atravessou a fronteira do Canadá para se apresentar em Vancouver, em
1970, resolveu adicionar um ingrediente especial ao seu show.

O tal ingrediente foi o guitarrista de blues Albert King. The Doors – Live in Vancouver 1970 (Warner Music, R$ 36 em média) traz o grupo desfilando os clássicos de sempre: Road House Blues, a tensa e viajante When the Music’s Over e Love Me Two Times, por exemplo.

Albert dá o ar da graça em momentos como Money, Rock Me e Who Do You Love.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Crossroads 2010 sai em DVD

Realizado em 26 de junho de 2010, na cidade de Chicago, o festival Crossroads, que tem como fundador o guitarrista britânico Eric Clapton, acaba de chegar às prateleiras.

O DVD duplo CrossRoads - Eric Clapton Guitar Festival 2010 (Warner Music, R$ 70 em media) é para qualquer fã de blues se lambusar. Além é claro, de arrecadar fundos para o Crossroads Centre, em Antígua, centro que trata de alcólatras e pessoas com problemas com drogas, o festival tem como meta celebrar a música.

A edição 2010 foi recheada com visitas ilustres. Além de nomes como Doyle Brahmall II, que tem despontado no cenário, Robert Cray dá um espetáculo. Crossroads também resgata músicos importantíssimos quase esquecidos. Emocionante ver Hubert Sumlin, aos 79 anos, com um sorriso que mal cabe em seu rosto enquanto solta notas de sua guitarra. Ele afirma, com sua experiência, que música
que vale é a que vem do coração, feita com a alma.

O trio texano ZZ Top também dá o ar da graça e desfila com categoria as canções Waiting For The Bus e Jesus Just Left Chicago. Como todo bom anfitrião, Clapton não deixa outros amigos de fora. Derek Trucks e Susan Tedeschi incluem duas canções no menu. Outro caso é de Buddy Guy, que para variar rouba a cena em composições como Five Long Years e Miss You, por exemplo. Nome importante também é Jeff Beck, que com muita classe solta notas e solos certeiros de sua guitarra. Um dos pontos altos é quando Clapton - junto de Steve Winwood, com quem tocou nos anos 1970, toca canções como Had To Cry Today e Shake Your Money Maker, além de homenagear Jimi Hendrix em Vodoo Chile. O encerramento apoteótico é responsabilidade, é claro, do mr. BB King.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Alguns lançamentos imperdíveis

Após o lançamento de Going Back, álbum que resgatou canções da Motown, Phill Collins teve a brilhante ideia de registrar as mesmas ao vivo. Going Back - Live At Roseland Ballroom, NYC (ST2 Records, R$ 35 em média) é pura energia. Collins é acompanhado por uma banda impecável, que conta, inclusive, com o baixista Bob Babbit e os guitarristas Eddie Williams e Ray Monette, todos da época da Motown.

O guitarrista e vocalista canadense Neil Young tira do bolso Le Noise (Warner Music, R$ 30 em média), seu trabalho de inéditas. Além de riffs sujos e certeiros de sua guitarra, Le Noise traz belas canções de violão. Todas sem bateria. Impecável.

Lançado originalmente em 1973, o disco Band on The Run, de Paul McCartney junto ao grupo The Wings, ganha relançamento (Universal Music, R$ 30 em média). Remasterizado, o CD traz um livreto de 16 páginas. No Exterior, saiu também em LP duplo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Novas canções, antigas melodias

Seja com gel no cabelo e jaqueta de couro ou com saia de bolinha, dançar se torna sugestivo logo nos primeiros segundos de Umbrella, canção que abre Strike (Warner Music, R$ 28 em média), trabalho de estreia do grupo The Baseballs.
Gravado em 2009, o álbum chega agora às prateleiras do Brasil e traz três rapazes estampados na capa. Rapazes que sequer eram nascidos quando o cantor norteamericano Elvis Presley tirava suspiro das meninas com suas canções.

Mas tanto Elvis quanto aquela geração toda de músicos são a grande referência na música do The Baseballs. Eles não assinam nenhuma das 12 canções que ilustram o disco, mas soltam a criatividade e resgatam a sonoridade dos anos 1950 criando roupagens para canções como Hot N Cold, gravada originalmente
pela cantora filha de pastores evangélicos Kate Perry, por exemplo.

Com arranjos ora delicados, ora fervorosos, a banda alemã, formada pelos vocalistas Sam, Digger e Basti, desfruta do bom gosto e deixa todo mundo à vontade para chacoalhar os quadris em Love In This Club, do cantor norte-americano Usher. Além da voz dos três cantores, o The Baseballs conta com a ajuda de um time de músicos que tempera muito bem as canções com piano, bons arranjos de guitarra e gaita, isso sem contar no coro de vozes femininas que dá todo um sabor às canções.

Os músicos promovem uma volta aos tempos dos carros ‘rabo de peixe’. Com camisa xadrez, topetes e jaquetas de couro, deixam claro que o que vale em Strike é a diversão. Para divulgar o álbum, o grupo conseguiu, na Inglaterra, fazer a abertura de alguns shows do lendário guitarrista Jeff Beck.
Dançante e moderna, I Don’t Feel Like Dancin’, escrita pelo Scissor Sisters ao lado de Elton John, ganha agora versão rockabilly pelos alemães. O disco ainda traz Don’t Cha, do Pussycat Dolls. É escutar e dançar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os imperdíveis de 2010

O ano de 2010 foi positivo no universo musical. Está claro que a vendagem de discos não é a mesma de outrora, mas ainda assim os artistas não desistem da labuta, vão ao estúdio e elaboram trabalhos excelentes. Isso sem contar os inúmeros registros em vídeo, nos relançamentos de álbuns clássicos, agora, com material inédito, e a força do ressurgimento dos discos de vinil. Aí vão alguns dos lançamentos imperdíveis realizados neste ano.

Paul McCartney - Good Evening New York City - CD+DVD (Universal Music, R$ 60 em média).
Paul McCartney é único e impagável. Talvez a melhor forma de conhecer seu trabalho, seja respirando seu show. A apresentação registrada aqui aconteceu no Citi Field Stadium, durante três noites de apresentação.

Paul já havia se apresentado lá, em 1965, quando o local se chamava Shea Stadium. Naquela ocasião, estava acompanhado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
O pacote que chega com dois CDs e um DVD, além de um livreto ilustrado com belas fotos e informações da apresentação, tem setlist caprichado. Com mais de duas horas, o show traz belo apanhado da carreira de McCartney. 'Drive My Car', canção gravada originalmente pelos Beatles no álbum 'Rubber Soul', é responsável pela abertura do concerto. Paperback Writer fica cheia de vida com os coros femininos desta versão.
Além da fase de McCartney junto ao Wings - Jet e Band On The Run, por exemplo - o show é recheado também por composições como 'Eleanor Rigby', 'Back In The USSR', 'Let it Be', 'Helter Skelter' e 'Sgt.Pepper´s Lonely Hearts Club Band', do quarteto de Liverpool. Basicamente, as mesmas apresentações vistas aqui no Brasil. Prato cheio para quem as perdeu.


Peter Frampton - Thank You Mr.Churchill - CD (ST2 Records, R$ 22 em média).
O músico britânico resolveu dar o ar da graça após intervalo de quatro anos. O ex-guitarrista do grupo de rock setentista Humble Pie, hoje aos 60 anos, arregaçou as mangas e fez as cordas de sua guitarra Les Paul soltarem notas lindas para o álbum.
Frampton havia composto 50 canções, entre elas, escolheu cuidadosamente 11 para o menu de 'Thank You Mr.Churchill'. Autobiográfico e emocionante, o disco traz momentos de extrema delicadeza como em 'Suíte Liberte', com direito a um solo de guitarra de tirar o fôlego. Outro grande momento do disco fica por conta de 'Vaudeville Nanna And The Banjolele', composição que relembra o episódio em que ganhou um banjo de sua avó.
Frampton mostra também que ainda pode produzir canções de peso, como 'I'm a Due', por exemplo. É Frampton no melhor estilo, sem medo de ser feliz.

Robert Plant - Band of Joy CD (Universal Music, R$ 29 em média).
Plant dispensa qualquer apresentação e também não precisa provar nada mais. O vocalista que coloriu com sua voz as canções do Led Zeppelin, mergulhou no folk e no blues norte-americano. Dessa mistura, junto de toda sua bagagem, nasceu o álbum Band of Joy.
Sua voz não é mais tão poderosa, mas ainda assim, o maestro brilha na última empreitada. Band of Joy é temperado com arranjos de banjo, acordeom e bandolim, como em Cindy, I'll Marry You Someday, por exemplo.
E por fim, mas não esquecidos, discos como 'Clapton' (Warner, R$ 29,90 em média), 19º da carreira do músico britânico Eric Clapton também merecem ser citados. Blues é a prata da casa, mas desta vez, ele inovou, recheou as canções com vários toques de jazz.

Vale lembrar também as releituras da Motown feitas por Phil Collins em 'Going Back' (Warner Music, R$ 29 em média). Outro que não pode faltar na prateleira é Exile on Main St. (Universal Music, R$ 45 em média), dos Rolling Stones. O álbum ganhou neste ano edição especial que, além do original, agora todo remasterizado, contém também com um segundo disco com dez excelentes canções inéditas. Imperdível.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Korn de volta às raízes

A volta do produtor Ross Robinson pode ser considerada um alívio aos fãs da banda de metal Korn. Encarregado da produção de Korn III Remember Who You Are (Warner Music, R$ 28 em média), novo disco do grupo californiano, Robinson que também produziu os dois primeiros discos do grupo, estampa sua marca nas 11 canções que compõem o novo trabalho.
O álbum promove uma volta às raízes do grupo capitaneado pela voz de Jonathan Davis.

O novo trabalho traz riffs pesados e grudentos da guitarra de James Shafer, presentes em toda a obra. Move On, Let The Guilt Go e Never Around são os destaques.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os deliciosos discos de Neil Young

Enquanto Le Noise, mais novo disco de Neil Young não chega ao Brasil – o lançamento está previsto ainda para este mês –, o público pode se deliciar com o relançamento dos quatro primeiros álbuns da carreira do guitarrista, cantor e compositor canadense.

Os relançamentos fazem parte da série Neil Young Archives Official Release Series (Warner Music, R$ 28 em média cada). Três deles, inclusive, já apagaram as velas de seu 40º aniversário.

Músico engajado e referência do folk e do rock, Neil Young lançou antes e também enquanto trabalhava junto dos amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, alguns de seus discos mais importantes. Da série que chega agora às prateleiras, está Neil Young, seu trabalho de estréia, lançado em 1968, que mescla canções folks com harmonias psicodélicas de guitarra.

Lançado no ano seguinte, o ótimo Everybody Knows This Is Nowhere, que traz na capa Young ao lado de um cachorro, é o segundo disco de sua carreira solo. Foi seu primeiro solo gravado com a lendária banda Crazy Horse. Para este trabalho nasceram canções belíssimas como o clássico Down By The River, e Cinamon Girl.

After The Golden Rush é outro que faz parte do pacote de relançamentos. Também gravado com os músicos da Crazy Horse, com esse disco Young colocou os pés na década de 1970 com classe. Nas composições do álbum, realçou ainda mais o trabalho de coros vocais, como em Only Love Can Break Your Heart ou Birds. Entre canções delicadas e recheadas por belos arranjos, After The Golden Rush traz uma canção suja, Southern Man, uma das melhores da obra.

Para fechar a série está Harvest, quarto da carreira do canadense, e talvez seu disco mais conhecido.
Ainda passeando pelo folk, e sem a Crazy Horse – ele gravou Harvest com a banda Stray Gators – Young ilustra as canções com muito violão e arranjos de gaita. Só a composição Heart of Gold já vale toda a obra. Todos os discos tiveram o áudio restaurado, e mesmo sem trazer bônus, formam discografia indispensável.
Coluna publicada no Diário do Grande ABC.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Phil Collins e a magia da Motown


Phil Collins há muito não pensa nas intermináveis canções progressivas que o consagraram junto ao lendário grupo Genesis. Oito anos após o lançamento do álbum Testify, o baterista e vocalista que andou dizendo um bocado sobre aposentadoria, resolveu retomar as rédeas de sua quase esquecida carreira solo e tirar do bolso o álbum Going Back (Warner Music, R$ 29 em média).


Referência da música pop nos anos 1980, Collins vive agora outro momento. De relembrar composições e ritmos com os quais cresceu escutando. Mergulhado no universo musical da Motown, gravadora fundada na cidade de Detroit em 1959 que se especializou em soul music e R&B, o britânico promove um passeio pelas dançantes canções daqueles tempos áureos.

Vale ressaltar que a Motown não teve somente o papel de lançar jovens artistas no mercado fonográfico, mas foi responsável também por mostrar ao público branco a força e a qualidade da música tocada pelos negros norte-americanos.

Assim como Eric Clapton e vários outros ingleses, Phil Collins também foi fortemente influenciado pela música norte-americana da metade do século passado. Ele resgata canções de grupos como The Miracles e Steve Wonder com excelência. Mantém a roupagem original das composições e traz sonoridade encorpada para as músicas.

Nem dez segundos são necessários para os pés entrarem no clima do suingue de Girl (Why You Wanna Make Me Blue), hit gravado pelo grupo The Temptations, em 1964. Mas a satisfação chega mesmo com (Love Is Like A) Heatwave, de Martha e the Vandellas.

E se essa canção não for o bastante para que se tenha certeza que esse é um ótimo disco, os arranjos de sopro e o balanço da canção Uptight (Everything’s Alright), de Steve Wonder não deixarão mais dúvidas sobre isso.

A voz de Collins continua intacta, limpa e bela, como na romântica Never Dreamed You’d Leave In Summer, também de Wonder. Mas a maior proeza para este trabalho foi trazer todo o clima, sonoridade e a magia da Motown para os dias atuais. Ele foi genial ao convidar músicos que viveram aquele momento para participar do projeto ao seu lado.

Collins contou com o guitarrista Ray Monette, do Rare Earth, por exemplo. Trouxe também Bob Babbitt, baixista do estúdio Motown e também da banda Funk Brothers. Aos 74 anos, outro que também dá o ar da graça no disco é o guitarrista Eddie Willis, responsável por algumas linhas de guitarra junto ao The Supremes, Steve Wonder, e Funk Brothers, entre tantos outros. De fino trato, o álbum é recheado também pelos belíssimos coros vocais de Connie Jackson e Lynne Fiddmont.

Going Back não se trata de uma tentativa de promoção através das gloriosas canções da Motown. Collins nunca precisou disso. É apenas uma bela homenagem à jovem América dos anos 1960.

Coluna publicada no Diário do Grande ABC.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eric Clapton com toques de Jazz

Eric Clapton é o tipo de músico que sequer pensa em estacionar. Ao contrário, só fica melhor com o tempo. No auge de seus 65 anos, o guitarrista, vocalista e compositor britânico tira do bolso Clapton (Warner, R$ 29,90 em média), seu disco de inéditas e 19º da carreira.

Nos anos 1960, Clapton, junto ao trio de rock Cream, consolidou seu nome como potência musical. Antes disso, havia participado dos Yardbirds, e de lá para cá, mergulhou no blues em sua carreira solo, com discos de dar água na boca.

Mas após tanto tempo, o que o músico poderia oferecer de diferente?
Que tal canções de blues com deliciosos toques de jazz, tudo com algo que só o tempo pode dar a um músico: muita elegância.

É disso que tratam as canções que compõem o novo álbum. Das 14 composições, ele escreveu apenas uma, Run Back To Your Side, ao lado de Doyle Bramhal II. Além da canção, Clapton assina a produção do disco.

Para a escolha do cardápio, Clapton mergulhou no baú do blues e do jazz e de lá retirou receitas para músicas como Travelin’Alone, composta originalmente pelo guitarrista norte-americano Melvin Jackson (1915-1976).
Mas o mergulho do músico foi além. Ele revisitou também a obra do compositor Hoagy Carmichael (1899-1981) e a do gaitista Walter Jacobs (1930-1968), por exemplo.

O mérito do álbum não é só do britânico, afinal, para o novo disco, ele tem a seu lado nomes como Steve Winwood, com quem trabalhou no grupo Blind Faith, em 1969, por exemplo.

Clapton traz ainda o trompetista Wynton Marsalis para as belíssimas canções How Deep Is The Ocean e My Very Good Friend The Milkman.

Sua guitarra Stratocaster chega mais tranquila agora. Esqueça a ideia de longos solos de blues. Clapton dá mais ênfase a outros tipos de arranjos. Por meio deles, as canções resgatam elegância peculiar das composições da primeira metade do século passado, como na delicada River Runs Deep, que conta com a participação de outro grande guitarrista, J.J. Cale, com quem Clapton já havia assinado um disco, Road To Escondido, em 2006.

Um dos destaques fica por conta de Rocking Chair. Nela, o guitarrista assume somente o vocal e passa a vez das cordas às ótimas notas do jovem Derek Trucks.

Outra que participa ao lado do músico é Sheryl Crowe, em Diamonds Made From Rain.
Clapton demorou cinco anos para lançar um álbum. Mas se esse é o tempo necessário para que faça um disco desse nível, então valerá a pena esperar outros cinco pelo próximo.
 
Coluna publicada no jornal Diário do Grande ABC.

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