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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Alguns lançamentos imperdíveis

Após o lançamento de Going Back, álbum que resgatou canções da Motown, Phill Collins teve a brilhante ideia de registrar as mesmas ao vivo. Going Back - Live At Roseland Ballroom, NYC (ST2 Records, R$ 35 em média) é pura energia. Collins é acompanhado por uma banda impecável, que conta, inclusive, com o baixista Bob Babbit e os guitarristas Eddie Williams e Ray Monette, todos da época da Motown.

O guitarrista e vocalista canadense Neil Young tira do bolso Le Noise (Warner Music, R$ 30 em média), seu trabalho de inéditas. Além de riffs sujos e certeiros de sua guitarra, Le Noise traz belas canções de violão. Todas sem bateria. Impecável.

Lançado originalmente em 1973, o disco Band on The Run, de Paul McCartney junto ao grupo The Wings, ganha relançamento (Universal Music, R$ 30 em média). Remasterizado, o CD traz um livreto de 16 páginas. No Exterior, saiu também em LP duplo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os imperdíveis de 2010

O ano de 2010 foi positivo no universo musical. Está claro que a vendagem de discos não é a mesma de outrora, mas ainda assim os artistas não desistem da labuta, vão ao estúdio e elaboram trabalhos excelentes. Isso sem contar os inúmeros registros em vídeo, nos relançamentos de álbuns clássicos, agora, com material inédito, e a força do ressurgimento dos discos de vinil. Aí vão alguns dos lançamentos imperdíveis realizados neste ano.

Paul McCartney - Good Evening New York City - CD+DVD (Universal Music, R$ 60 em média).
Paul McCartney é único e impagável. Talvez a melhor forma de conhecer seu trabalho, seja respirando seu show. A apresentação registrada aqui aconteceu no Citi Field Stadium, durante três noites de apresentação.

Paul já havia se apresentado lá, em 1965, quando o local se chamava Shea Stadium. Naquela ocasião, estava acompanhado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
O pacote que chega com dois CDs e um DVD, além de um livreto ilustrado com belas fotos e informações da apresentação, tem setlist caprichado. Com mais de duas horas, o show traz belo apanhado da carreira de McCartney. 'Drive My Car', canção gravada originalmente pelos Beatles no álbum 'Rubber Soul', é responsável pela abertura do concerto. Paperback Writer fica cheia de vida com os coros femininos desta versão.
Além da fase de McCartney junto ao Wings - Jet e Band On The Run, por exemplo - o show é recheado também por composições como 'Eleanor Rigby', 'Back In The USSR', 'Let it Be', 'Helter Skelter' e 'Sgt.Pepper´s Lonely Hearts Club Band', do quarteto de Liverpool. Basicamente, as mesmas apresentações vistas aqui no Brasil. Prato cheio para quem as perdeu.


Peter Frampton - Thank You Mr.Churchill - CD (ST2 Records, R$ 22 em média).
O músico britânico resolveu dar o ar da graça após intervalo de quatro anos. O ex-guitarrista do grupo de rock setentista Humble Pie, hoje aos 60 anos, arregaçou as mangas e fez as cordas de sua guitarra Les Paul soltarem notas lindas para o álbum.
Frampton havia composto 50 canções, entre elas, escolheu cuidadosamente 11 para o menu de 'Thank You Mr.Churchill'. Autobiográfico e emocionante, o disco traz momentos de extrema delicadeza como em 'Suíte Liberte', com direito a um solo de guitarra de tirar o fôlego. Outro grande momento do disco fica por conta de 'Vaudeville Nanna And The Banjolele', composição que relembra o episódio em que ganhou um banjo de sua avó.
Frampton mostra também que ainda pode produzir canções de peso, como 'I'm a Due', por exemplo. É Frampton no melhor estilo, sem medo de ser feliz.

Robert Plant - Band of Joy CD (Universal Music, R$ 29 em média).
Plant dispensa qualquer apresentação e também não precisa provar nada mais. O vocalista que coloriu com sua voz as canções do Led Zeppelin, mergulhou no folk e no blues norte-americano. Dessa mistura, junto de toda sua bagagem, nasceu o álbum Band of Joy.
Sua voz não é mais tão poderosa, mas ainda assim, o maestro brilha na última empreitada. Band of Joy é temperado com arranjos de banjo, acordeom e bandolim, como em Cindy, I'll Marry You Someday, por exemplo.
E por fim, mas não esquecidos, discos como 'Clapton' (Warner, R$ 29,90 em média), 19º da carreira do músico britânico Eric Clapton também merecem ser citados. Blues é a prata da casa, mas desta vez, ele inovou, recheou as canções com vários toques de jazz.

Vale lembrar também as releituras da Motown feitas por Phil Collins em 'Going Back' (Warner Music, R$ 29 em média). Outro que não pode faltar na prateleira é Exile on Main St. (Universal Music, R$ 45 em média), dos Rolling Stones. O álbum ganhou neste ano edição especial que, além do original, agora todo remasterizado, contém também com um segundo disco com dez excelentes canções inéditas. Imperdível.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Phil Collins e a magia da Motown


Phil Collins há muito não pensa nas intermináveis canções progressivas que o consagraram junto ao lendário grupo Genesis. Oito anos após o lançamento do álbum Testify, o baterista e vocalista que andou dizendo um bocado sobre aposentadoria, resolveu retomar as rédeas de sua quase esquecida carreira solo e tirar do bolso o álbum Going Back (Warner Music, R$ 29 em média).


Referência da música pop nos anos 1980, Collins vive agora outro momento. De relembrar composições e ritmos com os quais cresceu escutando. Mergulhado no universo musical da Motown, gravadora fundada na cidade de Detroit em 1959 que se especializou em soul music e R&B, o britânico promove um passeio pelas dançantes canções daqueles tempos áureos.

Vale ressaltar que a Motown não teve somente o papel de lançar jovens artistas no mercado fonográfico, mas foi responsável também por mostrar ao público branco a força e a qualidade da música tocada pelos negros norte-americanos.

Assim como Eric Clapton e vários outros ingleses, Phil Collins também foi fortemente influenciado pela música norte-americana da metade do século passado. Ele resgata canções de grupos como The Miracles e Steve Wonder com excelência. Mantém a roupagem original das composições e traz sonoridade encorpada para as músicas.

Nem dez segundos são necessários para os pés entrarem no clima do suingue de Girl (Why You Wanna Make Me Blue), hit gravado pelo grupo The Temptations, em 1964. Mas a satisfação chega mesmo com (Love Is Like A) Heatwave, de Martha e the Vandellas.

E se essa canção não for o bastante para que se tenha certeza que esse é um ótimo disco, os arranjos de sopro e o balanço da canção Uptight (Everything’s Alright), de Steve Wonder não deixarão mais dúvidas sobre isso.

A voz de Collins continua intacta, limpa e bela, como na romântica Never Dreamed You’d Leave In Summer, também de Wonder. Mas a maior proeza para este trabalho foi trazer todo o clima, sonoridade e a magia da Motown para os dias atuais. Ele foi genial ao convidar músicos que viveram aquele momento para participar do projeto ao seu lado.

Collins contou com o guitarrista Ray Monette, do Rare Earth, por exemplo. Trouxe também Bob Babbitt, baixista do estúdio Motown e também da banda Funk Brothers. Aos 74 anos, outro que também dá o ar da graça no disco é o guitarrista Eddie Willis, responsável por algumas linhas de guitarra junto ao The Supremes, Steve Wonder, e Funk Brothers, entre tantos outros. De fino trato, o álbum é recheado também pelos belíssimos coros vocais de Connie Jackson e Lynne Fiddmont.

Going Back não se trata de uma tentativa de promoção através das gloriosas canções da Motown. Collins nunca precisou disso. É apenas uma bela homenagem à jovem América dos anos 1960.

Coluna publicada no Diário do Grande ABC.

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