Trinta e cinco anos após seu lançamento, um dos discos mais conhecidos da carreira do guitarrista, cantor e compositor britânico Eric Clapton ganha versão especial de aniversário.
E já era hora de 'Slowhand'(Universal Music, R$ 42,90 em média) voltar às prateleiras recheado de bônus. Gravado em Londres e lançado em 1977, é nele que vieram embalados os clássicos 'Cocaine' e 'Lay Down Sally'.
A nova edição chega às lojas em CD duplo e embalagem digipack de luxo. Um encarte de 16 páginas com fotos e a história do disco contada em inglês também recheiam a obra.
Com áudio remasterizado, 'Slowhand' conta com as nove composições originais. 'Mean Old Frisco' e 'We're All The Way' listam entre as presentes. Quatro canções - 'Looking at The Rain', 'Alberta', 'Greyhound Bus' e 'Stars, Stray And Ashtrays' - , todas sobras das gravações originais, completam o primeiro álbum. Com exceção de 'Alberta', as outras são inéditas.
A edição especial do ex-músico do Cream traz outro presentão ao ouvinte. O segundo disco, exclusivo da edição, é gravação de show de Clapton no 'Hammersmith Odeon', no Reino Unido, em 27 de abril de 1977. Das nove faixas do repertório, que somam pouco mais de uma hora de concerto, cinco delas estavam guardadas a sete chaves.
Acompanhado por músicos de peso como Jamie Oldaker (bateria) e Carl Radle (contrabaixo) - ambos participaram das gravações em estúdio - além de coro feminino, Clapton desfila elegância para canções como 'Tell The Truth' e 'Knocking On Heaven's Doors', versão da pérola de Bob Dylan. Destaque para 'Badge', composta por Clapton ao lado do ex-Beatle George Harrison.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Clapton em textos e fotos
Se nos muros de Londres encontrava-se facilmente a pichação que dizia "Clapton é deus", hoje a opinião dos veículos especializados e dos músicos não é muito diferente. Considerado um dos mais importantes guitarristas de todos os tempos, Eric Clapton ganha rica biografia. E uma palheta de guitarra exclusiva vem como brinde.O exemplo do muro pichado serve de abertura para 'Clapton - A História Ilustrada Definitiva' (Editora Lafonte, 256 págs, R$ 120 em média). A obra é assinada por Chris Welch, figura que em seu primeiro emprego, em 1964, no jornal semanal britânico 'Melody Maker', recebeu a seguinte ordem: "Consiga uma matéria ou tchau." A meta era encontrar e falar com o The Yardbirds, banda a qual pertencia o então jovem Eric Clapton.
Welch foi um dos poucos que assistiram a vários momentos da carreira do lendário guitarrista, a exemplo do primeiro ensaio do Cream - trio de rock que contava também com Ginger Baker e Jack Bruce - e diversas apresentações da banda que revolucionou o cenário.
Toda a história do extraordinário músico, do pai que perdeu o filho Conor, de 4 anos - a criança caiu do 53º andar de um prédio residencial, em Nova York - está dividida em 11 capítulos.
Sua notável carreira é ilustrada com reproduções de ingressos de shows recentes e embrionários. Fotos em preto e branco e coloridas, como a que tirou em ação, ao lado da lenda do blues Buddy Guy, em 1969, deixam as páginas ainda mais interessantes.
Imagens de Clapton ao lado de B.B King, e não apenas as da época em que gravaram juntos o disco 'Riding with the King', em 2000, mas de tempos em que ambos abriam e escreviam os caminhos do mundo da música também fazem parte do repertório da obra.
O melhor momento do livro fica por conta das páginas que revelam os tempos junto ao Cream e também ao Blind Faith - banda de apenas um disco de estúdio que teve junto de Steve Winwood, Rick Grech e Ginger Baker -, sempre ao lado de reproduções de pôsteres de turnê.
"A última coisa que Clapton queria era outro Cream. Ele queria tocar de forma mais descontraída, mais discreta, com menos ênfase no papel de herói da guitarra. Também queria músicos com atitude menos combativa."
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Encontro de Wynton Marsalis e Eric Clapton
Música graciosa, educada e cheia de sabedoria. É disso que trata o encontro do trompetista e compositor norte-americano Wynton Marsalis com o lendário guitarrista e compositor britânico Eric Clapton.Durante três apresentações e ao lado da Orquestra de Jazz do Lincoln Center, em Nova York, a dupla mergulhou em temas delicados e audaciosos. O registro, "Wynton Marsalis & Eric Clapton Play The Blues" (Warner Music, R$ 50 em média), feito em abril, chega agora às lojas em pacote que inclui DVD e CD. O experimentalismo do jazz de Marsalis se mistura às notas certeiras do blues que fez Clapton quem é hoje.
O repertório cuidadosamente escolhido passeia por canções como "Ice Cream", composição da década de 1920. A releitura ganha ricos arranjos orquestrados. A voz rouca e a genialidade de "Howlin' Wolf" - forte influência na música de Clapton - são lembradas em "Forty-Four", outro destaque. Na versão, de belíssimos improvisos, os arranjos puristas promovem deliciosa volta ao tempo.
A marcha "Joe Turner's Blues" antecede outra música de destaque. Assim como "Forty-Four", "The Last Time" é outra faixa que faz o ouvinte viajar no tempo.
Com tanta bagagem musical nas costas, Marsalis e Clapton devem ter tido certa dificuldade ao decidir as músicas para os shows. Entre as escolhidas, "Careless Love" foi certeira e não poderia ficar de fora. O contrabaixo de Carlos Henriquez, o clarinete de Victor Goines, o trompete de Marcus Printuos e o trombone de Chris Crenshawe deixaram a música ainda mais rica, impagável.
"Careless Love" pode ser considerada patrimônio da música mundial. Já ganhou versão de Bessie Smith, Marilyn Lee e Ottilie Patterson. Ganhou vida também nas vozes de Louis Armstrong, Ray Charles, e Madeleine Peyroux, entre tantos outras ilustres figuras. A gravação traz ainda "Layla", de Clapton - a pedido do contrabaixista -, em versão inovadora e totalmente diferente de qualquer outra.
O maior mérito da empreitada de Marsalis e Clapton é manter viva a cultura, a magnitude de todas essas músicas importantíssimas. Canções que escreveram a história da arte, do mundo. Coisa que só quem ama a música faz.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Eric Clapton mostra sua elegante música em SP
Por Vinícius Castelli
Fotos: Marcos Hermes/Divulgação
Dez anos após sua última passagem pelo Brasil, o guitarrista, cantor e compositor britânico Eric Clapton se apresentou ontem em São Paulo, no Estádio do Morumbi . E até o céu, que durante todo o dia ficou carregado por nuvens resolveu dar trégua para que o músico ilustrasse a noite paulistana com sua música.
Acompanhado pelo baterista Steve Gadd, pelo contrabaixista Willie Weeks, pelos tecladistas Tim Carmon e Chris Stanton e por fim pelas vocalistas Michelle John e Sharon White, o lendário músico, que integrou bandas como Cream e Blind Faith, subiu ao palco com pontualidade britânica, às 21h.
O guitarrista saudou o público com um "boa noite", e em seguida dedicou a apresentação ao piloto de Fórmula 1 Felipe Massa. Com sua belíssima guitarra Fender Stratocaster azul nas mãos, fez sua música passear pelo estádio, para alegria geral com os acordes da composição 'Key To The Highway'. O público - 45 mil - misturado por cinquentões, sessentões e jovens, viu banda para lá de entrosada. Do bolso, Clapton tirou a música 'Teel The Truth', recheada por belos improvisos e solos incendiários.
Clássico do compositor Wilie Dixon, 'Hoochie Coochie Man' veio em seguida para delírio dos presentes. Com o refrão cantado em uníssono, Clapton não teve piedade do instrumento durante o solo. Vieram depois 'Old Love' e 'Tearing Us Apart'.
O formato do show mudou, Clapton sentou-se em uma cadeira e, com o violão nas mãos encantou com 'Driftin' Blues'. Ainda sentado, mas agora com a guitarra, foi elegante com 'Nobody Knows When You're Down and Out' e também com a conhecida 'Lay Down Sally'. Com roupagem suave, a elegantíssima 'When Somebody Thinks You're Wonderful', de seu recente disco, Clapton, tirou o fôlego de todos os fãs.
Conhecida, importante e emocionante, 'Layla' foi um dos grandes momentos do memorável show, com solo de guitarra de deixar qualquer queixo no chão. Em pé novamente, Clapton relembrou seu velho grupo Cream com a faixa 'Badge', registrada no álbum Goodbye, de 1969 e escrita ao lado do ex-Beatle George Harrison. 'Wonderful Tonight', 'Before You Accuse', 'Little Queen of Spades' e o clássico absoluto 'Cocaine' também couberam no repertório de 1h30.
Para o bis o músico convidou o guitarrista Gary Clark - responsável pela abertura da apresentação - para voltar ao palco e ao se lado improvisar em Crossroads. Elegante, sábio e único, Clapton, 66 anos, coleciona discos impagáveis, canções das mais importantes e uma história musical já inesquecível.
Fotos: Marcos Hermes/Divulgação
Dez anos após sua última passagem pelo Brasil, o guitarrista, cantor e compositor britânico Eric Clapton se apresentou ontem em São Paulo, no Estádio do Morumbi . E até o céu, que durante todo o dia ficou carregado por nuvens resolveu dar trégua para que o músico ilustrasse a noite paulistana com sua música.
Acompanhado pelo baterista Steve Gadd, pelo contrabaixista Willie Weeks, pelos tecladistas Tim Carmon e Chris Stanton e por fim pelas vocalistas Michelle John e Sharon White, o lendário músico, que integrou bandas como Cream e Blind Faith, subiu ao palco com pontualidade britânica, às 21h.
O guitarrista saudou o público com um "boa noite", e em seguida dedicou a apresentação ao piloto de Fórmula 1 Felipe Massa. Com sua belíssima guitarra Fender Stratocaster azul nas mãos, fez sua música passear pelo estádio, para alegria geral com os acordes da composição 'Key To The Highway'. O público - 45 mil - misturado por cinquentões, sessentões e jovens, viu banda para lá de entrosada. Do bolso, Clapton tirou a música 'Teel The Truth', recheada por belos improvisos e solos incendiários.
Clássico do compositor Wilie Dixon, 'Hoochie Coochie Man' veio em seguida para delírio dos presentes. Com o refrão cantado em uníssono, Clapton não teve piedade do instrumento durante o solo. Vieram depois 'Old Love' e 'Tearing Us Apart'.
O formato do show mudou, Clapton sentou-se em uma cadeira e, com o violão nas mãos encantou com 'Driftin' Blues'. Ainda sentado, mas agora com a guitarra, foi elegante com 'Nobody Knows When You're Down and Out' e também com a conhecida 'Lay Down Sally'. Com roupagem suave, a elegantíssima 'When Somebody Thinks You're Wonderful', de seu recente disco, Clapton, tirou o fôlego de todos os fãs.
Conhecida, importante e emocionante, 'Layla' foi um dos grandes momentos do memorável show, com solo de guitarra de deixar qualquer queixo no chão. Em pé novamente, Clapton relembrou seu velho grupo Cream com a faixa 'Badge', registrada no álbum Goodbye, de 1969 e escrita ao lado do ex-Beatle George Harrison. 'Wonderful Tonight', 'Before You Accuse', 'Little Queen of Spades' e o clássico absoluto 'Cocaine' também couberam no repertório de 1h30.
Para o bis o músico convidou o guitarrista Gary Clark - responsável pela abertura da apresentação - para voltar ao palco e ao se lado improvisar em Crossroads. Elegante, sábio e único, Clapton, 66 anos, coleciona discos impagáveis, canções das mais importantes e uma história musical já inesquecível.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Crossroads 2010 sai em DVD
Realizado em 26 de junho de 2010, na cidade de Chicago, o festival Crossroads, que tem como fundador o guitarrista britânico Eric Clapton, acaba de chegar às prateleiras.
O DVD duplo CrossRoads - Eric Clapton Guitar Festival 2010 (Warner Music, R$ 70 em media) é para qualquer fã de blues se lambusar. Além é claro, de arrecadar fundos para o Crossroads Centre, em Antígua, centro que trata de alcólatras e pessoas com problemas com drogas, o festival tem como meta celebrar a música.
A edição 2010 foi recheada com visitas ilustres. Além de nomes como Doyle Brahmall II, que tem despontado no cenário, Robert Cray dá um espetáculo. Crossroads também resgata músicos importantíssimos quase esquecidos. Emocionante ver Hubert Sumlin, aos 79 anos, com um sorriso que mal cabe em seu rosto enquanto solta notas de sua guitarra. Ele afirma, com sua experiência, que música
que vale é a que vem do coração, feita com a alma.
O trio texano ZZ Top também dá o ar da graça e desfila com categoria as canções Waiting For The Bus e Jesus Just Left Chicago. Como todo bom anfitrião, Clapton não deixa outros amigos de fora. Derek Trucks e Susan Tedeschi incluem duas canções no menu. Outro caso é de Buddy Guy, que para variar rouba a cena em composições como Five Long Years e Miss You, por exemplo. Nome importante também é Jeff Beck, que com muita classe solta notas e solos certeiros de sua guitarra. Um dos pontos altos é quando Clapton - junto de Steve Winwood, com quem tocou nos anos 1970, toca canções como Had To Cry Today e Shake Your Money Maker, além de homenagear Jimi Hendrix em Vodoo Chile. O encerramento apoteótico é responsabilidade, é claro, do mr. BB King.
O DVD duplo CrossRoads - Eric Clapton Guitar Festival 2010 (Warner Music, R$ 70 em media) é para qualquer fã de blues se lambusar. Além é claro, de arrecadar fundos para o Crossroads Centre, em Antígua, centro que trata de alcólatras e pessoas com problemas com drogas, o festival tem como meta celebrar a música.
A edição 2010 foi recheada com visitas ilustres. Além de nomes como Doyle Brahmall II, que tem despontado no cenário, Robert Cray dá um espetáculo. Crossroads também resgata músicos importantíssimos quase esquecidos. Emocionante ver Hubert Sumlin, aos 79 anos, com um sorriso que mal cabe em seu rosto enquanto solta notas de sua guitarra. Ele afirma, com sua experiência, que música
que vale é a que vem do coração, feita com a alma.
O trio texano ZZ Top também dá o ar da graça e desfila com categoria as canções Waiting For The Bus e Jesus Just Left Chicago. Como todo bom anfitrião, Clapton não deixa outros amigos de fora. Derek Trucks e Susan Tedeschi incluem duas canções no menu. Outro caso é de Buddy Guy, que para variar rouba a cena em composições como Five Long Years e Miss You, por exemplo. Nome importante também é Jeff Beck, que com muita classe solta notas e solos certeiros de sua guitarra. Um dos pontos altos é quando Clapton - junto de Steve Winwood, com quem tocou nos anos 1970, toca canções como Had To Cry Today e Shake Your Money Maker, além de homenagear Jimi Hendrix em Vodoo Chile. O encerramento apoteótico é responsabilidade, é claro, do mr. BB King.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Eric Clapton com toques de Jazz
Eric Clapton é o tipo de músico que sequer pensa em estacionar. Ao contrário, só fica melhor com o tempo. No auge de seus 65 anos, o guitarrista, vocalista e compositor britânico tira do bolso Clapton (Warner, R$ 29,90 em média), seu disco de inéditas e 19º da carreira.
Nos anos 1960, Clapton, junto ao trio de rock Cream, consolidou seu nome como potência musical. Antes disso, havia participado dos Yardbirds, e de lá para cá, mergulhou no blues em sua carreira solo, com discos de dar água na boca.
Mas após tanto tempo, o que o músico poderia oferecer de diferente?
Que tal canções de blues com deliciosos toques de jazz, tudo com algo que só o tempo pode dar a um músico: muita elegância.
É disso que tratam as canções que compõem o novo álbum. Das 14 composições, ele escreveu apenas uma, Run Back To Your Side, ao lado de Doyle Bramhal II. Além da canção, Clapton assina a produção do disco.
Para a escolha do cardápio, Clapton mergulhou no baú do blues e do jazz e de lá retirou receitas para músicas como Travelin’Alone, composta originalmente pelo guitarrista norte-americano Melvin Jackson (1915-1976).
Mas o mergulho do músico foi além. Ele revisitou também a obra do compositor Hoagy Carmichael (1899-1981) e a do gaitista Walter Jacobs (1930-1968), por exemplo.
O mérito do álbum não é só do britânico, afinal, para o novo disco, ele tem a seu lado nomes como Steve Winwood, com quem trabalhou no grupo Blind Faith, em 1969, por exemplo.
Clapton traz ainda o trompetista Wynton Marsalis para as belíssimas canções How Deep Is The Ocean e My Very Good Friend The Milkman.
Sua guitarra Stratocaster chega mais tranquila agora. Esqueça a ideia de longos solos de blues. Clapton dá mais ênfase a outros tipos de arranjos. Por meio deles, as canções resgatam elegância peculiar das composições da primeira metade do século passado, como na delicada River Runs Deep, que conta com a participação de outro grande guitarrista, J.J. Cale, com quem Clapton já havia assinado um disco, Road To Escondido, em 2006.
Um dos destaques fica por conta de Rocking Chair. Nela, o guitarrista assume somente o vocal e passa a vez das cordas às ótimas notas do jovem Derek Trucks.
Outra que participa ao lado do músico é Sheryl Crowe, em Diamonds Made From Rain.
Clapton demorou cinco anos para lançar um álbum. Mas se esse é o tempo necessário para que faça um disco desse nível, então valerá a pena esperar outros cinco pelo próximo.
Coluna publicada no jornal Diário do Grande ABC.
Nos anos 1960, Clapton, junto ao trio de rock Cream, consolidou seu nome como potência musical. Antes disso, havia participado dos Yardbirds, e de lá para cá, mergulhou no blues em sua carreira solo, com discos de dar água na boca.
Mas após tanto tempo, o que o músico poderia oferecer de diferente?
Que tal canções de blues com deliciosos toques de jazz, tudo com algo que só o tempo pode dar a um músico: muita elegância.
É disso que tratam as canções que compõem o novo álbum. Das 14 composições, ele escreveu apenas uma, Run Back To Your Side, ao lado de Doyle Bramhal II. Além da canção, Clapton assina a produção do disco.
Para a escolha do cardápio, Clapton mergulhou no baú do blues e do jazz e de lá retirou receitas para músicas como Travelin’Alone, composta originalmente pelo guitarrista norte-americano Melvin Jackson (1915-1976).
Mas o mergulho do músico foi além. Ele revisitou também a obra do compositor Hoagy Carmichael (1899-1981) e a do gaitista Walter Jacobs (1930-1968), por exemplo.
O mérito do álbum não é só do britânico, afinal, para o novo disco, ele tem a seu lado nomes como Steve Winwood, com quem trabalhou no grupo Blind Faith, em 1969, por exemplo.
Clapton traz ainda o trompetista Wynton Marsalis para as belíssimas canções How Deep Is The Ocean e My Very Good Friend The Milkman.
Sua guitarra Stratocaster chega mais tranquila agora. Esqueça a ideia de longos solos de blues. Clapton dá mais ênfase a outros tipos de arranjos. Por meio deles, as canções resgatam elegância peculiar das composições da primeira metade do século passado, como na delicada River Runs Deep, que conta com a participação de outro grande guitarrista, J.J. Cale, com quem Clapton já havia assinado um disco, Road To Escondido, em 2006.
Um dos destaques fica por conta de Rocking Chair. Nela, o guitarrista assume somente o vocal e passa a vez das cordas às ótimas notas do jovem Derek Trucks.
Outra que participa ao lado do músico é Sheryl Crowe, em Diamonds Made From Rain.
Clapton demorou cinco anos para lançar um álbum. Mas se esse é o tempo necessário para que faça um disco desse nível, então valerá a pena esperar outros cinco pelo próximo.
Coluna publicada no jornal Diário do Grande ABC.
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