Vinícius Castelli
Nem a chuva torrencial que caiu na cidade de São Paulo na noite de sábado foi capaz de diminuir o entusiasmo das cerca de 30 mil pessoas que lotaram a Arena Anhembi. O motivo é a lenda chamada Ozzy Osbourne. O músico voltou à Capital para divulgar Scream, seu 10° trabalho de estúdio, e pincelar preciosos clássicos de toda a carreira.
A abertura da noite ficou a cargo de Sepultura. Durante uma hora de show, a banda liderada pelo guitarrista Andreas Kisser ousou e tirou do fundo do baú canções como Arise e Dead Embrionic Cells. Até Escape To The Void, do terceiro álbum, Schizophrenia, não faltou ao repertório.
Enrolado em uma bandeira do Brasil, Ozzy perguntou: "Vocês sentiram a minha falta?". E então veio a sombria introdução de teclado anunciando, para a loucura de todos, o petardo Mr.Crowley, registrada em seu primeiro disco solo.
Nas costas, Ozzy carrega, além dos 62 anos e de discografia invejável, o excesso de loucura de todos os anos de rock. Mas tanto para os fãs como para o vocalista, seu andar lento e as costas pouco curvadas não abalaram a presença de palco do lendário vocalista. Carismático, o ex- Black Sabbath brincou o tempo todo com a plateia.
Road To Nowhere, presente no álbum No More Tears, fez a Arena toda cantar o refrão junto de Ozzy. Para quem achou que o músico havia esquecido de mais músicas do Black Sabbath se enganou. As sirenes anunciaram a pesada War Pigs, e os fãs cantaram a canção de ponta a ponta, inclusive os solos de guitarra.
Ozzy apresentou a banda e surpreendeu a todos com a música Shot In The Dark, canção que há anos não era incluída no setlist. O show teve direito a solo de guitarra, Gus G conquistou os presentes tocando o clássico choro Brasileirinho na guitarra.
Surpresa, a instrumental Rat Salad, também do Black Sabbath, serviu para dar tempo a Ozzy recuperar o fôlego. Ao final da canção, o bumbo da bateria chamou Ozzy de volta ao palco para que encarnasse Iron Man, um dos maiores clássicos de sua antiga banda.
Durante a canção Ozzy brincou com o episódio em que mordeu um morcego de verdade - jogado por um fã -, mas desta vez o morcego que Ozzy mordeu e jogou ao público era de borracha. O músico ainda presenteou os fãs com as músicas I Don't Want To Change The World e Crazy Train, com seus riffs poderosos de guitarra.
Mas o momento mais emocionante do espetáculo Ozzy havia guardado para o fim. Ele tirou o pé do freio, diminui o peso e puxou da manga a belíssima Mama, I''m Coming Home. Na composição, escrita para sua esposa Sharon, Ozzy mostrou delicadeza ao cantar.
No palco, Ozzy não trouxe parafernalha alguma, apenas pano de fundo preto e amplificadores. O músico, que brincou todo o tempo, jogou água no público, se molhou, e pediu para que os fãs gritassem e batessem palmas, deixou claro que ama o que faz e que as pratas da casa são, além de seu poderoso nome, seu carisma e suas canções únicas.
Fotos: Ronaldo Chavenco
Set list:
Bark at the Moon
Let Me Hear You Scream
Mr. Crowley
I Don't Know
Fairies Wear Boots
Suicide Solution
Road to Nowhere
War Pigs
Shot in the Dark
Rat Salad
Iron Man
I Don't Want to Change the World
Crazy Train
Mama, I'm Coming Home
Paranoid
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